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05 de outubro de 2013

Sempre que vou aos Grupos Comunitários, penso e sinto: "que bom que eu vim"; que bom que não deixei de vir para fazer qualquer outra coisa. Através da minha participação no grupo, estou desenvolvendo este aprendizado: podemos, por pouco, nos distrair da nossa própria vida.

Quando ouvi, então, uma amiga de faculdade que também participa dos grupos ler um trecho de livro que traduziu o que estava sentindo/vivendo no grupo, isso chamou a minha atenção; é importante que encontremos em nossas obrigações do cotidiano (como ler um livro para sua pesquisa, no caso da minha amiga) algo que nos diga respeito, algo que nos toque. O texto trazido por minha amiga reflete a proposta do grupo – a reeducação de como olhamos a vida – e o fôlego que ele lhe proporciona: "um mínimo de atenção com essa busca, essa fome que você tem, faz você perceber que, na verdade, cada mínimo olhar dirigido a você acende uma esperança, enorme, fundamental".

De modo semelhante, outra participante traz uma música (Viagem, de Taiguara), que a impactou por descrever o que está vivendo, pessoalmente e profissionalmente, destacando a frase: "faz em fera a flor ferida e vai lutar". Também eu me identifiquei com essa frase, lembrando quantos momentos precisei recolher meus caquinhos e continuar.

 

Depois do relato de uma participante sobre o crescimento e amadurecimento de um de seus filhos, apontando como as relações entre pais e filhos podem se transformar, lembrei e trouxe ao grupo o fato cotidiano de que meu pai, após comprar um aparelho de cortar cabelo, me elegeu sua cabelereira oficial. E em meio à rotina, não é sempre de bom grado que vou cortar o cabelo do meu pai; mas é sempre de bom grado que, depois de parar o que estava fazendo, percebo que acabo tendo um momento especial com ele, jogando conversa fora e cuidando dele – o que há tempos atrás era meu pai quem fazia, ao desembaraçar o meu cabelo quando eu ainda não sabia fazer isso.

Após o meu relato, vários outros participantes contaram situações parecidas que vivem em seu cotidiano, como cortar o cabelo do marido brincando, experimentando novos cortes; ou cuidar da mãe, que sempre cuidou de todos; ou, ainda, sentir saudades da irmã, que sempre esteve perto. Pensei, enquanto os ouvia, em como a atenção à vida pode ser contagiosa, pois uma participante me ajudou a dar importância a um fato corriqueiro e eu fiz o mesmo a outros – ao mesmo tempo em que me sentia ajudada novamente pelos relatos que surgiram a partir do meu, lembrando outras situações em que eu estava distraída da minha própria vida.

Por fim, foi trazida a música Roupa Nova de Milton Nascimento, que com um ritmo acelerado me fez lembrar a rapidez do cotidiano, ao mesmo tempo em que a letra exprime a atenção à vida que se propôs no grupo.


Marina

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