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09 de dezembro de 2014

“Pedaços de Pessoas” como Presentes

Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho,
mas não vai só, nem nos deixa sós;
leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.
Saint-Exupéry

No grupo de hoje ocorreu uma confraternização de fim de ano. A atividade funcionou no esquema do Sarau, com os participantes trazendo experiências a partir do contato com músicas, textos, vídeos e fotos.
Esta perspectiva nos ajudou a perceber o que compartilhamos no grupo como presentes. Em uma época em que estamos quase condicionados a procurar por presentes nas lojas, descobrimos uma modalidade de fazer presentes: experiências cotidianas, na medida em que representam a fecundidade da interação da pessoa com a realidade, se constituem em um objeto de inestimável valor.

No grupo, os participantes relataram suas vivências, um deles contou como tinha passado o fim de semana gravando músicas para um outro participante do grupo. Disse que nesta experiência descobriu que um trabalho pode ser feito com prazer e carinho. Conclui que “o ser humano quando gosta de uma pessoa, quando começa a ter uma certa relação de amizade, passar a estar com a pessoa, mesmo que ela não esteja ali”.
O gesto não passou despercebido do participante presenteado: “a partir de hoje você é mais que um amigo pra mim, é um irmão”.
Assisto e penso que fomos presenteados por testemunhar o surgimento de um broto de família no grupo.

Um pouco depois o Sarau permitiu descobrir uma preciosidade trazida por outro participante, na poesia de Cora Coralina:
Fechei os olhos e pedi um favor ao vento. Leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui pra frente apenas o que couber no bolso e no coração.
Desta forma, o grupo nos coloca em contato com o caminho percorrido por quem busca um horizonte de formação humana: “esta frase me tocou muito durante o ano, por perceber que a gente precisa de muito pouco para ver a beleza da vida.” Compreendo que a riqueza do Sarau vai além da poesia partilhada porque permite acompanhar o movimento da pessoa que traz a sua experiência.

As histórias compartilhadas revelam saberes apreendidos no dia a dia e, mais do que isso, possibilitam o contato com “pedaços de pessoas”. Ou seja, para além das narrativas, experimentamos a interação com os outros, através da oferta de suas histórias. Nas palavras de uma participante: “É muita coisa para levar de cada um. Não é só ouvir o que foi dito, mas como isso foi dito, a experiência de cada um, a história que tem por trás de cada um que compartilhou”.

Diante disso, percebemos crescer em nós uma enorme gratidão. Podemos compreender que a originalidade do grupo reside na constituição de um espaço estável onde se realizam gestos de generosidade: a oferta de si como método para uma construção pessoal e comunitária.
Estando no grupo percebemos que os presentes partilhados não tem preço, não por falta de etiquetas, mas porque representam um pedacinho da vida de cada um. Dessa forma, voltamos para casa com valiosos presentes e motivados para buscar novas experiências. Aprendemos que os presentes compartilhados, estes tesouros grandes ou pequenos, são encontrados no dia a dia, estão na vida.

Sergio

 

 

 

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