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“Naquele momento que ele foi paciente comigo, ele me ensinou a ser paciente com ele”

Compartilhamos a experiência de Heloisa que nos ensina como pode nascer a paciência:

A experiência que eu quero compartilhar é a experiência com o meu avô. Quando eu era criança, eu, a minha irmã e as minhas primas, a gente falava que o meu avô... a profissão dele era ser consertador de coisas, porque ele tinha uma oficina no fundo do quintal, era um balcão com as coisas dele, tudo que quebrava na casa ele arrumava, ele pegava sucata, fazia brinquedo pra gente... e aí teve um dia que eu tava sozinha no quintal brincando ele apareceu e foi lá mexer nas coisas dele, e aí ele falou pra mim “ó, eu vou entrar, daqui a pouco eu volto, não mexe nessas tintas” que essas ele tava usando pra pintar metal, era uma tinta diferente, “não mexe que daqui a pouco eu volto”. Ele saiu a primeira coisa que eu fiz foi ir lá mexer na tinta né? E assim, eu me sujei inteira e aí eu fiquei desesperada porque ele ia voltar e ele ia ver que eu mexi na tinta, então eu fui me lavar, só que a tinta não saía com água então eu comecei a ficar desesperada porque ele ia voltar e ele ia me ver daquele jeito e ia brigar comigo e aí o que que eu fiz? Me escondi no corredor, falei “ah, não vai me ver, não vai brigar comigo”. Aí ele voltou, viu que tinha alguma coisa estranha, foi me procurar, me achou e ao invés dele brigar ele falou “Não, deixa eu te ajudar, vem aqui que eu vou passar um produto pra tirar essa tinta” . E aí eu fiquei assim: eu via ele me lavando e eu pensava “gente, mas ele não vai brigar comigo? Que horas ele vai brigar comigo?” e ele não brigou. Aí hoje meu avô ele é demenciado, ele não sabe mais quem eu sou, não sabe... só sabe quem é minha avó assim, e ele tá naquela fase que ele quase não sabe mais tomar banho, veste a roupa errada, faz xixi na roupa. E aí quando eu vou na casa da minha vó... às vezes ele dá uma sumida também, dá uma perdida assim, e aí a minha vó fala “ai vai lá, vai la ver, procura seu avô que ele deve tá escondido que aprontou alguma coisa, vai lá porque você tem paciência”. E geralmente quando acontece isso é porque ele aprontou alguma coisa mesmo, e aí eu fico pensando né, ela acha que eu tenho paciência pra cuidar dele, pra ir lá e resolver o que que tá acontecendo. E, meu avô, acho que nunca vai saber disso: mas naquele momento que ele foi paciente comigo, ele me ensinou a ser paciente com ele, sabe? Então eu acho que se eu sou paciente, é porque ele me ensinou um pouquinho a ser paciente, acho que é isso"

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