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“Torcemos pra times diferentes, mas amamos o futebol”

Em grupo recente uma participante contou sua experiência de ter acolhido a indicação de uma amiga para ver um vídeo: “Tem uma parte que ele fala sobre o preconceito limitar a gente de conhecer melhor as pessoas e ir nos afastando. A gente acha uma coisa e acabou, não quer saber, de achar que é diferente, de tentar ver por outro lado". 

Assistindo o vídeo ela lembrou da relação com o pai: Aqui no hospital eu sempre falo do meu pai, da relação que eu tive com ele e a terapeuta fala: “lembra de uma coisa boa do seu pai”. E eu falo: “não tem uma coisa boa”. Eu tenho muita raiva dele. Eu achava, que ele nunca ia dar amor… ele me trata como um móvel da casa, nem bom dia ele da. A gente é da mesma casa, se tromba, mas não conversa. Ele me disse uma vez que não era obrigado a demonstrar amor, carinho porque ele foi criado assim e não tinha que ser diferente. Primeiro minha mãe sempre me falava que eu sou igual ele e isso sempre me deixava com muita raiva. Eu falava eu sou muito amorosa com minhas sobrinhas, com todo mundo, não sou parecida com ele.

Depois de ouvir isso, foi como se tivesse iluminado meus pensamentos, minha mente, de perceber que eu realmente tava sendo igual ele. Porque pensava: vou tratar ele igual ele me trata, com frieza. Eu fiquei olhando pra ele uns 20 minutos assim, ele de costas pra mim. Eu falei assim vou dar bom dia..., não vou dar, fiquei meio assim. Cheguei até ele, dei um abraço nele. No começo ele deu até uma afastada assim, só que ele acabou retribuindo o abraço, me deu bom dia, perguntou como é que foi minha noite, começamos a conversar coisas à toa. Depois disso eu comecei a pensar, deixei minha raiva de lado e também vi que tinham coisas boas. Ele me ensinou a nadar que é uma coisa que eu amo. Torcemos pra times diferentes, mas eu amo futebol e ele que me passou isso também. Então comecei a lembrar que não éramos amigos, mas sempre tivemos muitos pontos em comum. Eu tava com muito peso ano passado e queria começar uma dieta, e nunca tive forças e, mesmo sem eu pedir, foi ele me ajudou. Já precisei financeiramente e ele me ajudou também. Enfim, eu consegui ver um lado dele que eu tinha esquecido. Eu só tava ocupada pela raiva e só via as coisas ruins que vinham. Aí eu comecei a perceber que eu tava sendo igual ele. Então se ele é assim, eu não preciso ser assim. Se ele foi criado sem amor, eu fui criada com muito amor da parte da minha mãe. E eu tenho que dar pra ele amor, se eu quero que ele mude, eu tenho que mudar. Então desde sábado a gente ta bem. Ele chega do trabalho, da um abraço, vem falar oi, pergunta como foi meu dia. De manhã ele da tchau antes de ir trabalhar. Foi melhorando a relação.

 

Eu gostei muito desta experiência, da experiência em si e do vídeo porque algumas frases me marcaram bastante. Mexeu muito comigo quando ela contou que sempre teve raiva do pai porque ele não era carinhoso e não dava amor, mas a partir do momento que ela deixou a raiva dele de lado, ela começou a ver que ele também tinha coisas boas. Ela falou “torcemos para times diferentes, mas eu amo futebol e ele que me passou isso” e no vídeo também fala “fazer das nossas diferenças um ponto de encontro”. Marcou bastante porque eu já passei por algo parecido. Fiquei lembrando de uma amiga que é muito amiga minha e eu lembro do dia em que conheci ela. Eu ficava olhando meio torto porque sou muito tímida, não converso muito e ela é super extrovertida. Então eu pensava “nossa, que menina ‘a mais’, pra que tanto?” E hoje em dia ela é uma irmã pra mim. E isso já faz uns quatro anos, então eu percebi que realmente o preconceito limita. E fazer das diferenças um ponto de encontro porque nesse meu caso, aquilo é só uma diferença, mas a gente tem muito em comum. E eu não teria percebido isso se eu não tivesse me permitido a ter esse encontro com ela.

Bruna

(Março/2019)

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