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28 de Fevereiro de 2012

Hoje acordei muito animada para ir ao grupo, estava ansiosa para chegar lá e mostrar a todos minha alegria. Queria muito agradecer-lhes por me ajudarem a voltar a sonhar, num momento em que sozinha eu não estava conseguindo...

O grupo começou com o coordenador nos convidando a estarmos atentos para as descobertas que podemos fazer através das músicas, poesias e textos. Ele nos lembra da importância dessas descobertas, que nos ajudam a ver a vida acontecendo: "não queremos viver de uma maneira estúpida, não queremos nos desesperar com a idéia da morte por ver que, na verdade, não vivemos".

Uma participante então lê um texto bíblico sobre o amor de Jesus pela humanidade, e fala da importância da fé em sua vida. Outra participante leva, novamente, a música Perhaps Love (talvez o amor), de John Denver, e lê sua tradução. A música fala sobre a lembrança do amor, sempre presente, mesmo quando parecemos perdidos. Ao ouvir isso, o coordenador conta uma cena do filme Antes de Partir, na qual um dos personagem, ao se deparar com a lembrança do amor, redescobre como era bom ter alguém com quem compartilhar, alguém a quem amar; e assim resgata o desejo de voltar para casa. Outra participante nos fala, emocionada, sobre a sua lembrança do amor, contando que se casou com aquela música. Ela também conta como conheceu seu marido e como ainda estão juntos, tanto tempo depois; parecendo se dar conta, naquele momento, da preciosidade de tudo aquilo que nos falava.

Em seguida, outra participante traz a música Um pequeno imprevisto, dos Paralamas do Sucesso, e fala sobre a importância dessa música em sua vida, por lembrá-la de sua infância e também por se identificar com a letra da música, devido ao seu desejo de controlar a vida para não sofrer. Mas percebe que não existe tal controle, e que quando menos esperamos, simplesmente percebemos tudo diferente. Nesse momento, me percebi assustada e ao mesmo tempo encantada com a descoberta de como aquela música também fazia sentido para mim; como eu tinha tentado a vida toda conter o que eu sentia, evitar a mudança por medo da dor e da saudade do que ficaria para trás, sem perceber que a vida flui sempre e só a mudança é permanente. Me percebi, então, muito nostálgica, lembrando das mudanças da minha vida...

Nesse momento, outro participante diz de como a música o fez lembrar das mudanças de sua vida; de quando saiu de casa para estudar; da casa antiga que ficou para trás quando seus pais também se mudaram; dos primeiros dias em Ribeirão Preto iniciando a faculdade, levando trote na rua... Mas, diferente de mim, ele falou dessas mudanças com alegria, falou da saudade gostosa de tudo que pôde ser vivido e da satisfação por ter chegado onde está, trazido até aqui por essas mudanças. Através dessa fala, ele me apresenta uma nova maneira de olhar para as mudanças que sempre me assustaram. Me ajudou a ver a beleza dessas mudanças que nos levam sempre adiante, ao invés de vê-las apenas levando embora o que eu tanto prezo. Outro participante amplia essa ideia, dizendo que há permanência de tudo dentro de nós, apesar das mudanças, pois temos sempre nossas lembranças; as lembranças de amor, que ajudam a nos reencontrarmos quando estamos perdidos.

Outro participante traz a música Marcha da quarta de cinzas, comentando que esse era o primeiro grupo após o Carnaval, e ficou pensando que, assim como diz a música, seria bom se a alegria do Carnaval pudesse se manter viva. Ao ouvi-lo falar sobre a alegria do carnaval, comecei a contar como meu Carnaval tinha sido realmente alegre, graças a eles. Falei sobre o privilégio de fazer parte de um grupo tão vivo a ponto de me contagiar de forma tão intensa, que tornou-se possível carregar aquela motivação e passá-la adiante, construindo algo inédito: eu pude sonhar com a minha família; fizemos camisetas, criamos o nosso bloco, fomos para a praça e vivemos a alegria do Carnaval. Meus pais, pela primeira vez na vida, foram para um Carnaval... Éramos os alegrões, porque a vida é preciosa... 

Lembro-me de um momento em que, em meio a todos na praça, vi meu irmão de costas com uma camiseta na qual estava escrito: "porque a vida é preciosa". E nesse momento, senti um orgulho imenso do nosso bloco, da minha família que abraçou aquela ideia e pode se entregar, do Grupo Comunitário que me ajudou a viver dias tão especiais com pessoas tão especiais para mim. Agradeci ao grupo e me percebi muito feliz por estar ali, por fazer parte de um projeto tão único, tão especial, e por ver que ali cabia a minha alegria, a minha emoção; por ver que outros se emocionaram comigo, por sentir a vida juntos. Para mim, isso é "a vida acontecendo".

O coordenador nos fala então sobre como perceber a vida acontecendo nos mobiliza, contando sobre uma paciente que, ao perceber que sua vida acontecia em cada cuidado com seu filho, passou a ver esses cuidados com sentido - assim como o arquiteto que construía a Sagrada Família e morreu sem acabá-la podia vê-la como uma obra inacabada ou como a obra de sua vida...

Encerramos o grupo com o coordenador dizendo sobre como a vida nutre o grupo, e que essa é a nossa sorte.

 

Josiane

 

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Hoje no grupo, logo no início, fomos alertados para o quanto o encontro com alguém pode nos ajudar a descobrir algo novo, algo que pode, até mesmo, ter estado sempre do nosso lado, mas que não percebemos. O coordenador conta então a experiência que teve minutos antes do início do grupo, ao conversar com uma pessoa e notar o bairro que pode ser avistado da janela do hospital: "numa conversa despretensiosa, eu fui apresentado para um lugar que estava na minha cara todos os dias e que eu nunca tinha parado para ver... para prestar atenção".

Em nossa primeira atividade, onde buscamos perceber "a vida acontecendo" com a ajuda de músicas, poemas e filmes, as contribuições foram numerosas. Uma das participantes trouxe um texto bíblico, e ela comenta: "eu gosto muito de ler a Bíblia e ouvir música evangélica, por que isso que me alivia". Ouvimos a música que outra participante trouxe na semana passada, com destaque ao trecho: "e mesmo se você perder a si mesmo e não souber o que fazer, a lembrança do amor vai te acompanhar". Em seguida, trouxeram-nos a lembrança da cena de um filme: o momento em que um dos personagens decide se reconciliar com a esposa: "na hora em que ele redescobriu o que era ficar encantado com uma moça, na hora em que ele lembrou como é bom ficar encantado com uma mulher, aí ele quis voltar para casa, voltar para sua esposa".

Ouvimos mais três músicas; uma delas é de uma banda de Rock dos anos 80, trazida por uma participante que havia se identificado com a letra. Após ouvirmos a música, um dos participantes comentou: "eu achei curioso escutar essa música porque ela me lembrou um pouco da trajetória que é sair de casa. E na hora em que fala 'eu nunca mais encontrei minha casa', me lembrou não de um jeito triste, de um jeito feliz, da casa de onde eu saí para fazer faculdade. Minha família já não mora mais lá, já mudaram de cidade, estão em outro lugar". Outro participante contribuiu: "muitas vezes a gente não tem mais uma casa para voltar, o tempo não vai voltar, mas é interessante como as lembranças dão essa segurança para a gente continuar".

A segunda música fala sobre o fim do Carnaval, e o participante que a trouxe disse: "escutando essa música, a gente percebe que dá para fazer do resto do ano um pouco de Carnaval, se a gente conseguir prestar atenção no que tem de azul ali; ser responsável por colocar um pouco de alegria na rotina". 

A última música que ouvimos foi um presente que uma participante tinha ganhado de outra pessoa do grupo: "um dia, ela trouxe essa música do padre Rossi, aí eu falei assim 'muito bonita, né', e ela falou 'olha, eu vou fazer um CD e vou te dar'. Aí ela me deu e eu trouxe para ouvir hoje".

Uma participante trouxe, ainda, um poema sobre a importância de sorrir, e depois de ler o texto, ela nos contou que havia aprendido a sorrir. Outra participante nos mostrou as fotos desse Carnaval que passou com sua família: "eu trouxe as fotos para mostrar para vocês porque acho que tudo começou aqui, no grupo, antes do Carnaval, a partir da ideia que trouxeram de ver o Carnaval como um momento para ser alegre". Ela contou que essa ideia fez com que mudasse os seus planos e resolvesse visitar a família, ao invés de ficar sozinha em casa, pensando que o Carnaval seria chato: trouxeram essa ideia de um jeito que me contagiou, e eu consegui levar essa alegria, eu levei isso pra casa. A sementinha para isso tudo brotar veio aqui no grupo. O que a gente fala às vezes tem um poder que vai muito além do que acontece aqui". Ouvindo isso, um participante comentou, se referindo à música: "se você não tivesse esse cliquezinho, poderia ter sido uma Quarta-feira de Cinzas na segunda, na terça...". 

Na segunda atividade, dentre os depoimentos sobre os momentos em que percebemos a vida acontecendo, surge a história de um médico atendendo uma mãe que estava desanimada por causa do filho doente. Um vídeo que esse médico tinha visto sobre a obra de Gaudí, uma igreja em construção há mais de cinquenta anos e ainda inacabada, fez com que ele percebesse o que aquela mãe estava lhe contando de outro jeito: "esse novo arquiteto disse: a obra da igreja estava inacabada, mas a vida dele não, porque a construção da igreja era o instrumento para que Gaudí construísse a vida dele". Inspirado por essa mensagem, o participante que trouxe essa história concluiu: "a mãe estava vendo a vida dela como uma obra inacabada, porque seu filho continuava doente, não importava o que fizesse. Porém, a vida dela estava cheia de realização; estava acontecendo enquanto ela cuidava de seu filho".

Outra participante contou então sobre a carta que recebeu do filho no dia do aniversário de seu casamento. O filho escreveu: "desde que eu cheguei aqui, eu comecei a aprender a amar vocês". Ela explica que foi uma carta emocionante: "foi assim muito precioso, porque a gente não esperava uma coisa dessas, porque ele tem dificuldades em verbalizar sentimentos, e aqui ele aprendeu isso".

Quase no fim do grupo, uma participante pediu para compartilhar algo que, segundo ela, não poderia deixar de falar. Ela nos contou sobre o seu trajeto para chegar no grupo, tendo que passar por um pedágio sem dinheiro e sobre o sinal que teve para prosseguir: "começou a tocar no rádio, uma coisa que é rara acontecer, uma música do Milton Nascimento, e aí eu falei comigo 'opa, vou entrar nessa cidade aqui e procurar um banco' (para ter dinheiro para o pedágio), e aí eu logo achei, dei de cara com um banco, e vim. E eu estou muito feliz de estar aqui, hoje a vida aconteceu para mim com todos esses mistérios."

Finalizando o encontro de hoje, o coordenador recordou a fala de um professor quando visitou o grupo: "não é todo dia que a gente encontra a vida oferecida assim, de graça"; e complementou: "o que nutre o grupo não somos nós, o que nutre o grupo é a vida acontecendo. A gente se vale de aprender uma atitude de simplicidade para perceber tudo isso".

 

Marília

 

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