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10 de Julho de 2012

A vida sempre está pronta para nos oferecer momentos preciosos, basta nossa disponibilidade e atenção. Com essa intenção é realizado os encontros do Grupo Comunitário de Saúde Mental.

Em um desses encontros, uma participante contou uma experiência que teve em um final de semana difícil. No domingo, saiu de carro para resolver algumas coisas no shopping, e como habitual, ligou o rádio durante o trajeto. Mas estava triste e não teve vontade de cantar; para ela, o dia estava parado e sem movimento, semelhante ao que estava sentindo por dentro. Ao parar em um semáforo, permitiu-se ouvir a música que estava tocando (Bandeira, de Zeca Baleiro):

Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver.

  

 

E, reparando em sua letra, sentiu uma imediata necessidade de sentir a vida com a mesma intensidade que essa canção propõe. Foi então que se deu conta, ao olhar para frente, que haviam duas crianças em um carro próximo acenando e sorrindo para ela. As crianças conseguiram um sorriso de seu rosto triste.

Outro participante trouxe um texto que fala sobre sua doença, a depressão. Segundo ele, entender sua condição o faz sentir-se mais calmo. Lendo esse texto, destacou pontos como "luz no fim do túnel" e "manter a esperança". E acrescentou dizendo que em um encontro anterior, foi dito que o sol brilha para todos, mas ele só entra em nossa vida quando estamos dispostos a abrir uma janela; "mesmo quando o túnel estiver escuro, ande até enxergar a fresta de luz".

Dois participantes pediram para pegar suas contribuições nos armários. Antes de compartilhar com o grupo o que levaram, um deles disse que quando soube que mudaria o coordenador no grupo de hoje, pensou: "ah, o grupo vai ser ruim... Vou deixar para trazer o material na semana que vem. No entanto, no momento em que o grupo começou e ouvi a história da música no carro, achei tão rico, que percebi que não preciso esperar. Devo contribuir também". Assim, mostrou a todos uma foto de uma criança em tratamento contra o câncer. Uma imagem que levou à reflexão sobre a vida e nossos problemas. Às vezes, enquanto reclamamos, há pessoas que estão lutando pela sobrevivência, sorrindo.

Em seguida, foram lidos dois textos, um poema de Fernando Pessoa e uma fala de Gandhi:

Felicidade 

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. 
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!  
Se perceber que precisa seguir, siga!  
Se estiver tudo errado, comece novamente.  
Se estiver tudo certo, continue. 
Se sentir saudades, mate-a. 
Se perder um amor, não se perca!  
Se o achar, segure-o!

A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis, se eu sou amável; que as pessoas são tristes, se estou triste; que todos me querem, se eu os quero; que todos são ruins, se eu os odeio; que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio; que há faces amargas, se eu sou amargo; que o mundo está feliz, se eu estou feliz; que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva; que as pessoas são gratas, se eu sou grato. A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta. A atitude que eu tomo perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim. Quem quer ser amado, ama. O caminho para a felicidade não é reto. Existem curvas chamadas equívocos, existem semáforos chamados amigos, luzes de cautela chamadas família, e tudo se consegue se tens: um estepe chamado decisão, um motor poderoso chamado amor, um bom seguro chamado fé, combustível abundante chamado paciência, mas acima de tudo um motorista habilidoso chamado Deus! 

Essas duas poesias permitiram que uma pessoa do grupo se lembrasse de uma história:

Um judeu, prisioneiro em um campo de concentração, estava sem nenhuma perspectiva frente às circunstâncias que vivia. Um dia, ouviu a seguinte pergunta de seus amigos de cárcere: "o que mais podemos esperar da vida?". Ele pensou, pensou e pensou até compreender que a pergunta estava invertida. Faz mais sentido quando nos questionamos: o que a vida espera da gente?

A vida está sempre acontecendo, e o andar do grupo é construído através do movimento de cada participante diante dela, permitindo perceber a responsabilidade de cada um para que a vida aconteça.

 

Marília e Marcella

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