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12 de Março de 2013

Percebo que a participação nos grupos tem nos ajudado a desenvolver maior envolvimento com a realidade, parece que ganhamos uma espécie de cola, que ajuda a nos tornarmos mais apegados àquilo que ocorre no dia a dia. Dessa forma, considero um privilégio a oportunidade de nos dar conta, a cada semana, da maneira como somos constituídos a partir de nossas vivências.

A proposta do grupo afirma o desejo de que a vida não passe despercebida, como apenas uma trajetória rumo ao envelhecimento, mas ao contrário, seja um caminho de experiência e amadurecimento.

No grupo de hoje, logo de início, uma participante destacou a possibilidade de olhar para a vida "como um tapete vermelho, que está convidando a caminhar e fazer a história". E explica: "se a gente quer fazer história, tem que dar e receber, porque aí a gente cresce junto".

A perspectiva de viver plenamente a vida e não "ficar dormindo" foi traduzida em uma música cantada por um dos participantes:

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia
Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar, me adaptar

E também no comentário de outro participante: "no meio de tantas coisas, se a gente não estiver atento, não estiver vivo, não vai perceber essas pérolas aí no meio. É mais comum a gente passar batido em um monte de coisas no nosso dia a dia".

Na trilha da atenção aos detalhes, a recente comemoração do Dia da Mulher foi motivo do relato comovido de uma participante; o irmão, "que não tem tempo pra nada, sempre tão ocupado com o trabalho", mas que lhe mandou uma mensagem porque "tinha que lembrar das mulheres mais importantes da vida dele".

Ao longo do grupo, várias experiências de superação foram relatadas, permitindo que uma participante concluísse: "uma brecha de luz, passando por um espaço bem pequenininho, dá um jeito de iluminar todo o ambiente".

Assim, o grupo permitiu estarmos próximos a pessoas e circunstâncias, viajando por diversas situações, de carona na mente de quem compartilhou conosco suas experiências; durante o grupo, caminhamos por onde não havíamos imaginado estar. Acontecimentos ganham relevância, a partir do sentido que vai sendo descoberto e compartilhado.

Hoje eu vim para grupo sem trazer nada, com a cabeça cheia de problemas, com muita raiva de coisas dando errado. Entrei no grupo com raiva. Porém, aos poucos, o que estava sendo partilhado começou a achar espaço dentro de mim e a raiva e os outros sentimentos ruins foram parecendo menores, e eu percebi que estava dando mais importância a eles do que realmente mereciam. Entendo quando um dos participantes falou: "quando cultivamos algo de positivo, talvez o que há de ruim não desapareça, mas começa a ficar menor e menos importante". Então talvez tenha sido isso o que aconteceu, participar do grupo me ajudou a perceber que eu que estava dando importância demais aos meus problemas. Quando uma participante falou que se sentia egoísta por não ter trazido nada, apenas recebido, eu me toquei de falar que eu também não tinha trazido nada, mas que estar ali recebendo me ajudou a perceber outras coisas, então saí mais calmo do grupo.

 

Roberto

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