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23 de Julho de 2013

O dia amanheceu cinza e frio no dia 23 de Julho. O esforço de estar no grupo em um dia assim não passou despercebido pelos participantes: "num dia de chuva igual a esse, eu pensei em ficar na cama dormindo, mas pensei que podia fazer uma coisa pequena, como ir ao grupo, e ganhar uma coisa grande, que é absorver o que o grupo me proporciona".

Assim, aquecendo aquela manhã, músicas e textos preciosos foram levados e compartilhados.  

Começamos ouvindo uma música da banda IRA, que nos conta o quanto um telefonema pode fazer valer uma "tarde vazia"! 

Você me ligou
Naquela tarde vazia
E me valeu o dia... 

Quem levou essa música disse que ela "junta as coisas simples que a gente não vê passar, e mostra que pegando de pouquinho em pouquinho você pode construir um coisa grande...".

Outra música, dessa vez, sem letra, sensibilizou muitos participantes. Foi possível perceber como podemos comunicar tantos sentimentos sem usar as palavras!

E a música Gentileza, de Marisa Monte, inspirou todo o grupo:

 Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras e as palavras de gentileza

A música chama Gentileza, e teve um dia aqui no hospital que uma pessoa observou que tinha uma paciente que não conversava com ninguém, ela não respondia a ninguém, mas que, mesmo assim, ele nunca tinha visto ninguém chegar no hospital e passar reto por ela, ninguém chegar e não falar "bom dia" para ela ou não chamar ela para comer. E aquilo me chamou muito a atenção, porque é uma coisa que parece muito simples, mas se a gente não prestar atenção, passa despercebido mesmo... E aí eu ouvi essa música e lembrei desse dia; eu comecei a prestar atenção no meu dia-a-dia, no quanto que, para mim, faz diferença as pessoas serem gentis comigo e eu também ser gentil com as pessoas. Percebi que podia fazer diferença quando eu chegava num lugar, por exemplo, de manhã, e as pessoas me cumprimentavam com um bom dia e eu também as cumprimentava; o quanto era diferente quando isso acontecia.

Depois disso, outras pessoas trouxeram relatos de momentos significativos em suas vidas, ocorridos nos últimos dias. A história contada por um vai ajudando a dar significado aos acontecimentos da vida dos outros.

Uma participante nos falou que ouviu de uma professora, quando estava na faculdade de Enfermagem, que era preciso estar atento e tomar cuidado com os objetos pessoais dos pacientes (um chinelo, um travesseiro...), pois não sabemos o quanto são estimados e o que representam para quem os possui. Acho que, na verdade, o cuidado com o chinelo ou com a "garrafinha de água vermelha" demonstra carinho por aqueles para quem esses objetos são importantes de alguma forma...

Outra participante agradeceu um abraço e revelou o quanto ele pode mudar um dia, especialmente o dia em que se retorna das férias...

E, assim, o grupo seguiu, surpreendendo quem pensou que aquele dia nublado não poderia trazer tantas gentilezas.

 

Natalia

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