SARAU - TEXTOS

  • Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso. E fui.

    Clarice Lispector

    Acho bonito perceber que podemos ajudar o outro mesmo em sofrimento.

    Contribuição trazida por Marina em 17/12/2013


  • No início, antes da semente, está a terra, quando tudo é determinado pela espera e o homem não tem nada nas mãos, nem a semente para colocar na horta, e por isso está à mercê da onipotência do Mistério, que faz todas as coisas. A espera é o lugar de quem tem fome e sede, e estende a mão. Espera, inclina-se para aquilo que o faz viver, para aquilo pelo qual poderá viver.

    Giussani (1976)

    ... É uma coisa que eu ando pensando muito, por isso que eu quis escrever sobre, porque muitas vezes a gente fala da semente: a semente que dá fruto, a semente que dá flor; e quando eu li esse texto que fala da terra, que antes da semente já tem a terra, eu achei que isso tinha muito a ver com o nosso trabalho, porque aqui é como se a gente buscasse arar a terra, cultivar a terra, deixar a terra preparada pra gente poder receber as coisas que acontecem.

    Contribuição trazida por Sergio em 17/12/2013


  •   Em defesa do meu direito de ser triste

    Sou muito agradecido à mãe natureza por ter me dado minha tristeza. É ela que me poupa de, alegremente, comemorar a perda de meu amigo ou a perda dos dedos da mão. Ou ficar indiferente a isso. Bendita tristeza que não me permite ser absurdo em relação a tudo que me acontece vindo de externo a mim. Sou também grato a ela por me permitir ter um estado de espírito adequado à perda de ilusões. É muito aliviante poder ficar triste quando constato não possuir, realisticamente, as virtudes que, ilusoriamente, eu me atribuía. Um fardo inútil que se deixa de carregar. E também, menor flagelação quando não correspondo às virtudes que não tenho.

    Bendita tristeza que não me permite ser absurdo em relação a mim mesmo. E bendita alegria que me permite comemorar a recuperação de meu amigo e a posse das virtudes que realisticamente possuo. E bendita inveja que me faz querer possuir o que meu inimigo possui, e bendita admiração que me faz comemorar o que meu amigo possui, como se eu mesmo possuísse. E... bendita...; e bendita... que não nos permitem sermos absurdos. Aqui surge o primeiro ponto em que temos que pensar juntos.

    Estou defendendo que a tristeza, apesar de dolorosa, é uma capacidade humana necessária, boa. E não, como habitualmente se acredita que, por ser dolorosa, é ruim. Ela é, mesmo, uma das mais úteis e necessárias capacidades que nos permitem adequações às infinitas variações da realidade externa ou à relação de cada um consigo mesmo. Numa palavra, permite adaptação. Creio, mesmo, que a tristeza exerce, na mente, funções protetoras, muito semelhantes à que exerce, no corpo, a dor.

    Quando trabalhava no Hospital das Clínicas, atendi dois irmãos, de sete e nove anos, que, desde o nascimento, não sentiam dor. O nome que os adultos dão a esta raríssima moléstia é “agenesia congênita dos feixes dolorosos”. Nunca tinha visto, nem vi depois, seres humanos tão cortados, lanhados, raspados, fraturados, queimados, como eles. Foram trazidos à Psiquiatria Infantil, no dia em que o mais velho, que se sentira desafiado numa disputa com outros meninos, para demonstrar que era corajoso, moeu a ponta do dedo indicador esquerdo, numa máquina caseira de moer carne.
    Tenho justificado medo de que estejamos nos tornando semelhantes aos garotos que não sentiam dor. Não participo, pois, dessa verdadeira cruzada que vejo hoje contra a tristeza, qualquer tristeza e à qualquer custo. Logicamente, penso o mesmo do medo, da ansiedade, etc... etc.

    A tristeza é teu sofrimento, mas também é teu benefício. É ela que te avisa que há algo na tua vida real e mental que está desarrumado, não entendido, ou pelo qual você “passou batido”. Tirando apenas a tristeza, o que vai te avisar que tua vida está desarrumada?

    Oswaldo Di Loreto

    Fonte: Infanto - Revista de Neuropsiquiatria da Infância e Adolescência, 1997

    Esse texto traz um ponto de vista diferente pra gente olhar para a tristeza, pra gente olhar não como algo ruim, mas como uma função na nossa vida. Achei interessante já pelo título dele: “em defesa do meu direito de ser triste”, porque se tirarmos as nossas emoções, como é que seria a gente não sentir nada? Seria em tom de cinza!

    Contribuição trazida por Bruna em 19/11/2013


  • “Tolos! Pensamos que nossos planos são capazes de garantir o futuro. Ignoramos que há forças mais profundas. Não estou dizendo teoria. Eu vivi isso. Só estou onde estou porque tudo o que planejei deu errado. Se meus planos tivessem dado certo, eu não estaria escrevendo esta crônica, não teria me tornado um escritor... Amaldiçoei o fracasso dos meus planos. Não sabia que era precisamente esse fracasso que me levaria ao lugar que desejava. As correntes do rio profundo foram mais generosas que o meu remar contra elas. Não cheguei aonde planejei ir. Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu soubesse.”

    Rubem Alves

    Uma participante relacionou esse texto com sua experiência de ter participado de uma atividade na qual esperava encontrar muitas pessoas e havia apenas duas, mas acabou percebendo que passou "uma tarde muito gostosa". Dessa forma, concluiu o relato dizendo: "achei que ia encontrar um monte de gente e hoje penso que mesmo se tivesse apenas uma só valeria a pena do mesmo jeito".

    Contribuição trazida por Carmen em 05/11/2013


  • Síntese da felicidade

    Desejo a você...
    Fruto do mato
    Cheiro de jardim
    Namoro no portão
    Domingo sem chuva
    Segunda sem mau humor
    Sábado com seu amor
    Filme do Carlitos
    Chope com amigos
    Crônica de Rubem Braga
    Viver sem inimigos
    Filme antigo na TV
    Ter uma pessoa especial
    E que ela goste de você
    Música de Tom com letra de Chico
    Frango caipira em pensão do interior
    Ouvir uma palavra amável
    Ter uma surpresa agradável
    Ver a banda passar
    Noite de lua cheia
    Rever uma velha amizade
    Ter fé em Deus
    Não ter que ouvir a palavra não
    Nem nunca, nem jamais e adeus.
    Rir como criança
    Ouvir canto de passarinho
    Sarar de resfriado
    Escrever um poema de amor
    Que nunca será rasgado
    Formar um par ideal
    Tomar banho de cachoeira
    Pegar um bronzeado legal
    Aprender uma nova canção
    Esperar alguém na estação
    Queijo com goiabada
    Pôr-do-sol na roça
    Uma festa
    Um violão
    Uma seresta
    Recordar um amor antigo
    Ter um ombro sempre amigo
    Bater palmas de alegria
    Uma tarde amena
    Calçar um velho chinelo
    Sentar numa velha poltrona
    Tocar violão para alguém
    Ouvir a chuva no telhado
    Vinho branco
    Bolero de Ravel
    E o carinho meu.

    Carlos Drummond de Andrade 

    Contribuição trazida por Emiliana em 25/06/2013,
    referindo-se e recordando de sua infância em Minas Gerais


  • “O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente... E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver.”

    Mário Quintana

    Contribuição trazida por Malú em 25/06/2013


  • O mundo é uma máquina maravilhosa na qual nenhuma peça sobra ou falta. Se você está vivo, há algo fundamental que só você pode fazer... Você crê nisso?”

    Frase do filme “As aventuras de Hugo Cabret”

    Eu acho que precisamos olhar pra vida e perceber que se não estamos recebendo nada dela, é porque a gente também não está dando.

    Contribuição trazida por Malú em 11/06/2013,
    referindo-se à frase que leu em um e-mail


  • Vida que não se guarda e nem se esquiva. Vida sempre a serviço da vida. Ainda que o gesto me doa, não recolho a mão: avanço, levanto um ramo de sol.”

    Tiago de Melo

    Eu fui à Feira do livro, e lá no balcão de informações eu encontrei essa cartilha do Tiago de Melo. Eu estava lendo uma entrevista que ele deu por e-mail, e quando pediram pra ele resumir quem é Tiago de Melo, ele disse isso.

    Contribuição trazida por Maria Luiza em 11/06/2013,
    referindo-se à resposta poética do autor Tiago de Melo


  • "A literatura não é, como muitos supõem, um passatempo. É nutrição.”

    Cecília Meireles

    Essa frase anda comigo... É uma frase curta que fala muito.

    Contribuição trazida por Maria Luiza em 21/05/2013,
    referindo-se à frase que escutou de uma professora


  • “Poderá parecer estranho que eu indique, como primeiro elemento de um bom método de estudo, a nossa amizade, com efeito, esta é uma sugestão que vocês não vão encontrar nos manuais. Mas a amizade é o paradigma do interesse pela realidade. Estando aqui todos juntos, é quase impossível que estejamos todos adormecidos, obtusos, mecânicos em perceber os estímulos que nos vêm da realidade... Depois, quando acontecer de ele ficar adormecido (porque a vigilância para nós é cansativa, e não somos capazes de ficar atentos por muito tempo), vem um outro para chamar a atenção dele. Esta me parece a imagem mais bela possível da amizade como relacionamento educativo e de ficar juntos na universidade como companhia... Doe tudo aquilo que descobrir. Se existe uma coisa, mesmo pequena, que te marcou e por um instante te devolver interesse e vida, comunique-a e proponha-a para os outros”.

    Leonardo Lugaresi

    Contribuição trazida por Sergio em 21/05/2013,
    referindo-se ao método realizado nos grupos



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